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Entenda por que os carros elétricos são mais estáveis do que os a combustão interna

Conjunto de baterias aumenta rigidez do chassi e reduz centro de gravidade dos carros elétricos

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Ao observar o Rimac Concept One por baixo, nota-se o conjunto de baterias ao centro, e os motores bem à altura das rodas, relativamente próximos ao solo, o que abaixa o centro de gravidade – Imagem: Divulgação Rimac

Provavelmente você já escutou: “Carros elétricos são mais estáveis comparados aos movidos por motores a combustão interna”. Embora a afirmação tenha boa dose de verdade, não demonstra as razões pelas quais isso ocorre. E pode levar a interpretações equivocadas. Por isso, vamos explicar de modo simples o que sustenta tal afirmação.

Para começar, é necessário entender o conceito “centro de massa”. Ou, como é mais comumente conhecido, “centro de gravidade”. É um fenômeno físico que resulta na concentração da massa do veículo num ponto. A partir do qual todas as forças, aceleração, frenagem e laterais, incidem. Pense-o como um apoio no qual as forças se deslocam como eixos. E embora mova-se numa única direção, a fixação de uma gangorra serve como analogia didática para entender a atuação do centro de gravidade.

Vamos exemplificar. Imagine dois veículos a combustão: um esportivo e uma pick-up cabine simples, com largura e comprimento semelhantes. O esportivo fictício tem carroceira baixa, com design uniforme, e próxima ao solo. O motor localiza-se entre-eixos. Dada essa distribuição de massa, o centro de gravidade estará próximo ao meio do carro, e mais ou menos à altura do centro das rodas. Lembre da gangorra: a fixação no caso do esportivo estará próxima ao chão, portanto, o curso da haste será menor. E quanto menores as oscilações de um veículo, melhor para a estabilidade.

Pense na pick-up. Com carroceria alta, mais massa na seção dianteira do que traseira, e chassi distante do solo. O motor está instalado sobre o eixo dianteiro. Diferentemente do esportivo, o centro de gravidade estará acima das rodas, e mais à frente do veículo. Volte à analogia da gangorra. A fixação agora estará mais alta, consequentemente, o curso da haste será maior. Amplitude que torna a pick-up mais instável

Intuitivamente sabemos que o esportivo é mais estável do que a pick-up. Agora entendemos os porquês baseado no conceito centro de gravidade. Obviamente, existem equações para determinar precisamente o centro, mas para fins didáticos, o exercício acima funciona.

Você provavelmente está pensando: “Certo. Mas como os carros elétricos se enquadram nisso?”.

Vamos lá… A maioria dos carros totalmente elétricos (BEV) têm o conjunto de baterias localizado na parte inferior do chassi. E distribuído de modo equânime pela área. O conjunto de baterias é a parte mais pesada e volumosa dos carros elétricos. Aliado a isso, como os motores elétricos são menores comparados aos de combustão interna, podem e normalmente são instalados no centro do(s) eixo(s) de tração. Assim, as principais massas dos carros elétricos estão mais próximas ao solo comparadas aos carros com motores a combustão.

Ainda há outro benefício proporcionado pelo conjunto de baterias: a rigidez torcional. Se o termo assustou, descomplico: em menor ou maior escala, todo chassi torce em curvas. Quanto mais rígido, melhor. Chassis com torção excessiva desestabilizam o carro. E como o conjunto de baterias é bastante sólido e integrado ao chassi, aumenta a rigidez estrutural.

Apesar de tudo explicado, há detalhe importante: mesmo fundamental para a estabilidade, o centro de gravidade não é determinante absoluto. Estabilidade também advém de outros elementos, como geometria das suspensões, aderência dos pneus, cargas de molas e amortecedores. Isso, sem mencionar artifícios “adicionais”, como apêndices aerodinâmicos e controles eletrônicos. Por isso, cabe ressaltar: a eletrificação não é a varinha mágica capaz de tornar todos os veículos estáveis. Uma engenharia ruim, mal acertada, resultará numa estabilidade... ruim.

Entretanto, dentro de parâmetros de equivalência presentes na indústria automotiva para veículos do mesmo segmento, podemos afirmar pelos motivos apontados, que um veículo elétrico é mais estável do que um a combustão interna. E olhando para o futuro, a maior propensão à estabilidade dos elétricos impactará o segmento preferido dos consumidores: SUVs e pick-ups.

Conforme entendemos, veículos mais altos são naturalmente mais instáveis. Graças aos avanços da tecnologia, sobretudo controles de tração e estabilidade, os SUVs e pick-ups a combustão tornaram-se mais equilibrados ao longo dos anos. Agora, com o advento da eletrificação, estes veículos se tornarão mais estáveis não apenas em decorrência da eletrônica, mas das leis da física.

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