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Entrevista Diego Gajani, CEO WOW: “Mudamos paradigmas com objetivo de criar algo diferente”

Startup coletou informações de potenciais clientes para projetar scooters e elaborar modelo de negócio

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O design WOW é futurista e funcional, com destaques para rodas grandes, distribuição de peso equilibrada, bom espaço para transportar itens e fácil acesso às bateria – Foto: Divulgação WOW

Scooters elétricos são inigualáveis na locomoção urbana. E sintetizam um novo paradigma da mobilidade. Podem ser adquiridos como produto ou serviço. Para entregas ou mobilidade. Versatilidade geradora de negócios bilionários nos próximos anos. Nos quais as startups terão papel fundamental.

Todavia, os scooters elétricos excedem a importância do próprio segmento. Serão o primeiro passo das gigantes motociclísticas na eletrificação futura de toda suas linhas de modelos. Pelo cenário, é dedutível a competitividade do mercado. Mas para colocar os sapatos de quem analisa, repensa e empreende no segmento, Zev.News conversou com Diego Gajani, fundador e CEO da WOW! Sediada na cidade Saronno, Itália, a startup colocará no mercado o Model 4 e Model 6 no final deste ano.

Zev.New - Diego, poderia começar apresentando sua trajetória como empreendedor. E como a WOW surgiu?

Diego Gajani - Até 2009 atuei como vice-presidente e sócio em diferentes empresas de estratégia, análise e consultoria. Naquele ano, fundei e tive participação minoritária numa startup criadora de uma nova geração de medidores de gás - Metersit. Deixei empresa em 2016, quando 80 pessoas trabalhavam lá, e o faturamento anual alcançava 40 milhões de Euros. Então, decidi investir no mercado de mobilidade elétrica. Em 2018 fundei uma empresa distribuidora exclusiva da FD Motor, Jonway, e Ecooter scooters. No ano seguinte 2019 decidi criar a WOW.

Zev.News - Os scooters WOW têm soluções interessantes. Por exemplo, baterias removíveis e o motor no centro do scooter. Quais características foram consideradas no design para criar o produto?

Gajani - Quando começamos a projetar as scooters WOW pensávamos num conceito modular de scooters, capaz de satisfazer três segmentos diferentes: operadores de scooters compartilhados, o segmento de entregas, e os consumidores privados. No caso dos operadores de compartilhamento, tivemos diversas reuniões, com objetivo de entender à fundo suas necessidades. Alguns aspectos dos scooters como carregar dois capacetes abaixo do banco, duas baterias, a solução antifurto, e o sistema de freio eletrônico foram decididos nessas reuniões.

Zev.New – E do ponto de vista técnico, qual o maior desafio?

Gajani - Alcançar eficiência extremamente elevada do motor, transmissão e baterias. Os scooters WOW superam os mais de 130Km de autonomia real, com um conjunto de baterias de 22kg. O que ótimo.

Zev.News – No geral, o que foi projetado pela WOW, e o que foi terceirizado? E como funcionará a fabricação?

Gajani - Acreditamos que alguns componentes não podem ser desenvolvidos internamente. O motor e os controladores (de energia), por exemplo. Empresas na Ásia desenvolveram motores e controladores para veículos elétricos com design sofisticado, fabricados em centenas de milhares de unidades por ano. Ninguém na Europa pode competir. O mesmo vale para os freios, e outros componentes. Assim, solicitamos (às empresas) algumas pequenas modificações para um encaixe perfeito ao scooter. Já as rodas, lanternas, carenagem, quadro e baterias foram projetados por nossos engenheiros, e construídos por outras empresas. A montagem dos scooters será conduzida diretamente por nós, na Itália.

Zev.News - O mercado da mobilidade elétrica urbana é enorme, mas a competição é feroz. Qual a estratégia, bater de frente com as gigantes ou explorar nichos?

Gajani - Você está certo. O mercado de mobilidade urbana é duro. Mas as grandes marcas chegarão em 2022, e estarão focadas no mercado de consumidores. O crescente segmento de scooters compartilhados e de entregas precisará de diferentes funções. Acreditamos que nossa marca será reconhecida como a criadora de tendência, assim que (os scooters) estiverem disponíveis no mercado (previstos para o final deste ano).

Zev.News - Recentemente, a WOW recebeu novo aporte (400 mil Euros). Então, qual o perfil dos investidores e qual a visão deles sobre o mercado?

Gajani - São empresas e investidores privados, capazes de trazer ideias, conhecimento e rede de contatos para a empresa. Todos seguros sobre a transição da combustão interna para os motores elétricos na mobilidade urbana, e, especificamente, nos scooters.

Zev.News - A pandemia atingiu em cheio a economia global. Como isso afetou a WOW? Houve grande alteração no cronograma?

Gajani - Nunca paramos de trabalhar. A equipe da WOW trabalhou de casa, remotamente, nos dois meses do lock-down. Voltamos ao escritório em 4 de maio. Tivemos alguns pequenos atrasos, por conta dos fornecedores, em virtude do lock-down. No momento, estamos na finalização de atividades ligadas à produção em massa, para começar a fabricação dos scooters.

Zev.News – Para fechar: como você descreveria os caminhos da inovação na WOW?

Gajani - Passamos muito tempo definindo as características dos scooters WOW. Nosso objetivo era fugir do comum em termos de design de scooters elétricos. Pensamos que a WOW deveria ser um scooter elétrico nativo (não adaptado a partir de um a combustão). Mudamos alguns paradigmas, com objetivo de criar algo diferente. Especificamente para os operadores de compartilhamento de scooters, que hoje utilizam os mesmos (modelos) de consumidores privados.

Além disso, a WOW é uma empresa industrial. E como outros outros projetos industriais, há muito capital envolvido. E é necessário considerar essa grande quantidade. Assim, trabalhamos muito no planejamento financeiro, na capitação de investimentos, antes mesmo do design e industrialização dos produtos.

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