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Faraday Future volta à cena com suposto plano para abrir capital nos EUA

Concebida como potencial rival da Testa, startup frustrou expectativas ao se perder em meio a problemas financeiros

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Após a frustração do empreendimento original, a abertura de capital pode representar uma oportunidade arriscada para startup pivotar seu negócio – Foto: Divulgação Faraday Future

O britânico Michael Faraday desvendou no século XIX os princípios do eletromagnetismo. Seu nome batiza a lei que explica tais efeitos. É considerado o criador do primeiro motor elétrico. E tamanha importância reflete a ambição de uma startup surgida para destronar a Tesla: Faraday Future. Fundada em 2014, a startup tinha como proposta reimaginar modelo de negócio, design e utilização dos carros. Porém, seguiu trajetória de ascensão e queda. Agora, a Faraday Future volta ao destaque após matéria da Reuters revelar planos para abertura de capital.

Fundada em 2014 por Jia Yueting, a californiana Faraday Future comunga origem de outras startups de veículos elétricos: figura de sucesso na área de tecnologia empreende na indústria de veículos elétricos confiante na capacidade de revolucionar o mercado. Antes da Faraday Future, Yueting fundou a LeCo, gigante chinesa provedora de serviços on-line e fabricante de dispositivos como smartphones e tablets. Os elementos para a revolução estavam presentes, personificados em Yueting. A Faraday Future atraiu atenção, investidores, e apoio de governos. Mostrou carros como o conceito FF 90, e o crossover FF91 programado para chegar às ruas em 2018. Fez até incursões pela Fórmula E. E atingiu a marca de mil funcionários.

Passado o magnetismo inicial, em 2016 começaram as dificuldades. Funcionários apontaram problemas financeiros, o local da suposta fábrica mudou de cidade para cidade, e parte do núcleo debandou para iniciar os próprios projetos – o CFO Stefan Krause e o CTO Ulrich Kranz fundaram a Canoo. Jia Yueting assumiu o papel de CEO, e as questões financeiras se acentuaram: dívidas, demissões, desinvestimentos e problemas levados à justiça. A escalada se manteve até 2019, ao ponto de Jia Yueting declarar falência pessoal nos Estados Unidos.

Hoje, Carsten Breitfeld é o CEO da Faraday Future. Tem no currículo o cargo de Ex-CEO da Byton e líder do programa de desenvolvimento do BMW i8. Já Jia Yueting deixou o cargo de CEO para assumir a função de Chefe de Produto e Usuário da startup.

Análise Zev.News

Até o momento, o mercado acompanhou ao longo deste ano o início dos procedimentos e a conclusão de abertura de capital de diversas startups de veículos elétricos nas bolsas americanas. À exceção das chinesas Lixiang e Xpeng, todas seguindo o mesmo caminho: SPACs.

O termo SPAC designa Special Purpose Acquisition Company. Tipo de empresa também conhecida como “cheque em branco”. Em suma, empresas sem operações reais, basicamente um fundo de capital listado na bolsa. Com único propósito: adquirir outras empresas num prazo de até dois anos. O que define a qualidade de uma SPAC é a capacidade dos gestores.

Neste tipo de abertura de capital, a startup funde-se a SPAC, e tem acesso ágil ao mercado financeiro por conta da listagem prévia, e das menores exigências documentais pela SEC – comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos - comparado aos procedimentos tradicionais.

Todavia, paira certa dúvida se a abertura de capital via SPACs abre possibilidade para escrutínios menos minuciosos. Impressão acentuada após controvérsia recente envolvendo a Nikola Corporation. E a suposta entrada na bolsa seria via uma SPAC, não revelada. Iniciativa no mínimo curiosa. Afinal, Faraday Future tem seu histórico de questões, e a condição real da startup ainda é opaca.

Recentemente, a regra de validação essencial na indústria das startups começou a ganhar contornos acentuados entre startups de veículos elétricos: é necessário um produto minimamente executado e com algum encaixe ao mercado.

Obviamente, startups de veículos elétricos têm peculiaridades. Complexidade e investimentos vultosos necessários colocam operações e produtos embrionários como passíveis de investimentos. Porém, de novo, é necessário diferenciar potencial real de mero deslumbre visionário desconectado do mercado.

No decorrer de sua jornada, a Faraday Future consumiu bilhões. Sem efetivamente entregar algo substancial. Provavelmente, produziu ativos, como expertise, tecnologias e patentes. Por este prisma, a startup mostra valor. E, uma vez reorganizada, quem sabe, até viável.

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