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Arrival realizará IPO na Nasdaq em negócio estimado em US$ 5.4 bilhões

Startup inglesa funde-se à SPAC americana CIIG e prevê início das negociações das ações para primeiro trimestre de 2021

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No cronograma da Arrival, o ônibus será o primeiro veículo em produção (2021), seguido pelas vans (2022) – Foto: Divulgação Arrival

Na quarta-feira (18) mais uma startup de veículos elétricos divulgou início dos procedimentos para abertura da capital na Nasdaq: Arrival. A startup inglesa desenvolve veículos comerciais e destaca como pontos fortes o baixo custo total de propriedade e as fábricas de rápida implantação. A entrada na bolsa será pela fusão com a SPAC CIIG. A conclusão da transação está prevista para o primeiro trimestre de 2021. Estima-se que o valor da empresa após fusão será US$ 5.4 bilhões.

Uma vez concluída a fusão, projeta-se que US$ 660 milhões serão injetados na Arrival. Capital utilizado para crescer a empresa. Os primeiros veículos entrarão em produção no quarto trimestre de 2021. E a startup prevê lucratividade já em 2023.

Como Arrival inova?

Baseada em Londres e fundada em 2015, atualmente a Arrival conta com 1.300 funcionários distribuídos por escritórios na Alemanha, Holanda, Israel e Luxemburgo. A startup desenvolve diversas tecnologias proprietárias compreendendo veículos e sistema de produção. A linha de modelos engloba ônibus, vans e um pequeno veículo para transporte. Com lançamentos programados entre 2021 e 2023, e preços equivalentes aos modelos a combustão. Portanto, abaixo das alternativas concorrentes elétricas.

O baixo valor de aquisição decorre em boa medida das chamadas Microfábricas. O modelo estabelece pequenas fábricas, facilmente implementáveis em galpões já existentes. E localizados próximos às regiões onde os veículos serão comercializados. O prazo para estabelecer uma Microfábrica é seis meses. As duas primeiras começarão a funcionar em 2021, em Rock Hill, Carolina do Sul (EUA) e 2022, em Bicester (Reino Unido)

Operacionalmente, as Microfábricas utilizam o conceito de células de produção no lugar da linha de montagem. Em vez da fabricação em sequência, a ordem de passagem por cada célula pode ser alterada. E há uso extensivo de robôs com tecnologia proprietária para dinamizar e reduzir os custos de produção.

Quais oportunidades aproveita?

O segmento comercial atravessa profundas mudanças. Questões relacionadas à preservação do meio ambiente e à saúde pública restringirão cada vez mais a circulação de veículos a combustão. Para completar, o crescimento das vendas online (37% entre 2020 e 2024 segundo Statista Digital Market) aumenta a demanda por veículos comerciais.

Em razão da inovação tecnológica em produtos e produção, que desafia o modelo das montadoras tradicionais, Arrival acredita-se bem posicionada para aproveitar a oportunidade decorrente destas transformações.

Investimentos feitos por Kia, Hyundai (US$ 100 milhões) e UPS validam a visão da startup. O grupo Hyundai desenvolverá um veículo elétrico sem emissões utilizando a plataforma skate Arrival. E a Arrival ainda afirma encomenda de 10 mil vans, avaliada em US$ 1.2 bilhão, feita pela UPS.

Onde está o risco?

O ânimo do mercado de capitais provocado pelo desenvolvimento tecnológico associado às crescentes restrições governamentais aos motores a combustão levaram diversas startups de veículos elétricos às bolsas este ano (Nasdaq e NYSE). A maioria por caminho comum: SPACs. Embora mais ágil e menos burocrático, a chamada fusão reversa reduz o profundo escrutínio da entidade reguladora dessas transações nos Estados Unidos - SEC (equivalente à CVM brasileira).

Não necessariamente significa brechas para procedimentos inapropriados. Porém, acende alerta. Alerta também acionado por outra razão: falta de produtos efetivamente prontos. Visto em várias destas startups. A história mostra: frequentemente volumes elevados de capital injetados em startups sem produtos prontos e devidamente encaixados aos clientes têm desfecho indesejado.

E Arrival aposta alto. Seu negócio combina inovação na estrutura produtiva, baixo custo de aquisição e de propriedade dos veículos. Alcançados por uma estrutura vertical calcada em propriedade intelectual desenvolvedora de materiais, robótica, engenharia automotiva e de software. Sem dúvida, pontos fortes. Mas, ironicamente, onde residem os riscos, em razão da absoluta necessidade de orquestração destes pontos.

Ainda há outra possibilidade de impedimento: a cláusula resgate. Como os acionistas da SPAC (CIIG) investiram na visão dos gestores em adquirirem uma empresa com alto potencial de crescimento, caso não estejam satisfeitos com a escolha, podem recuperar seu capital. Se acontecer numa quantidade elevada, até inviabilizar a fusão e o acesso aos recursos financeiros necessários para Arrival deslanchar.

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