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Quais os impactos dos subsídios na eletrificação da futura indústria automobilística?

Subsídios são responsáveis por incentivar demanda por carros puramente elétricos, e fim dos estímulos aos consumidores exigirá da indústria redução de custos operacionais e aumento da lucratividade

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Xpeng figura entre as startups chinesas de carros elétricos com potencial para algum protagonismo no mercado global – Foto: Divulgação Xpeng

Na transição para a mobilidade elétrica, somada à questão ambiental, há forte apelo econômico. Para startups, aproveitar a transformação é oportunidade para alcançar algum protagonismo na indústria bilionária. Para montadoras estabelecidas, exige adaptação aos novos tempos.

A dimensão das pontas ambientais e econômicas explicam os apoios governamentais concedidos ao setor mundo afora. Os mais notáveis, subsídios e isenções tributárias para a compra de carros puramente elétricos.

Os incentivos aos consumidores são impulso inicial para aumentar a demanda, reduzir emissões e estimular a transformação da indústria. Existentes há uma década na China, Europa e Estados Unidos, gradualmente, começarão a sair de cena – a China planejava encerrar os subsídios no fim de 2020, estendeu o prazo por conta da pandemia e queda nas compras de carros puramente elétricos.

Quando ocorrer, o encerramento dos subsídios exigirá eficiência das fabricantes para reduzir os preços dos carros puramente elétricos, sustentar a demanda e manter a lucratividade das operações. Desafios que possivelmente mudarão a paisagem do negócio global de mobilidade.

Fim dos incentivos e novos protagonistas

Dada a perspectiva, o mercado começa a fazer suas suas apostas. Caso de NIO, Lixiang e Xpeng. Apesar dos pequenos volumes entregues mensalmente comparados às montadoras estabelecidas, as três startups chinesas sinalizam horizonte promissor à frente. Assim, figuram cotadas nas bolsas de valores acima de várias montadoras tradicionais.

Cabe frisar: as três startups acumulam perdas financeiras gigantescas. No 2º trimestre NIO registrou prejuízo líquido de US$ 90.9 milhões, Lixiang de US$ 36.5 milhões e Xpeng de US$ 118 milhões. Entretanto, contam com apoio maciço do governo chinês. O que fortalece o fôlego durante a passagem do saldo negativo para positivo – esperado caso o protagonismo aconteça.

E as três apresentaram crescimento na lucratividade. Comparando o 2º trimestre ao 1º trimestre de 2021, o lucro bruto de NIO subiu de US$ 237.3 milhões para US$ 243.8 milhões. Lixiang de US$ 94.1 para US$ 147.6 milhões, e o lucro bruto na venda de veículos de Xpeng de 10.1% para 11% - a startup não divulgou cifras.

Nessa toada transicional, recentemente a empresa de análises Jato Dynamics apresentou o estudo “EVs: A Price Challenge” - “O Desafio dos Preços dos Veículos Elétricos”. Compreendendo Europa, China e Estados Unidos e enumerando incentivos, valores, evolução dos preços dos carros puramente elétricos ao longo da década e projetando os desafios da indústria.

A pesquisa de Jato aponta queda no preço médio dos carros puramente elétricos na China, e aumento de preços na Europa e nos Estados Unidos ao longo da década:

China: 2011 (€41.800) vs. 2021 (€22.100)

Europa: 2012 (€33.292) vs. 2021 (€42.568)

Estados Unidos: 2011 (€26.200) vs. 2021(€36.200)

Também aponta paridade entre o preço médio do carro puramente elétrico e a combustão na China, e diferenças acentuadas na Europa e nos Estados Unidos.

China: combustão (€ 23.703) vs. Elétrico (€ 22.072)

Europa: combustão (€ 32.218) vs. Elétrico (€ 42.568)

Estados Unidos: (€ 24.866) vs. Elétrico (€ 36.139)

Todavia, a comparação direta entre preços médios de carros elétricos entre China, Europa e Estados Unidos não reflete a realidade absoluta. Parte expressiva do mercado chinês de carros puramente elétricos (40%) é composta pelos chamado city-cars – micromodelos urbanos com preço médio de € 6.700 – dado de Jato Dynamics. Para completar, houve o lançamento de modelos premium na Europa e Estados Unidos no mesmo período.

À despeito da participação dos microcarros no mercado chinês, o estudo de Jato Dynamics indica queda acentuada de preço em todo o espectro de modelos chineses. E destaca justamente a falta de mais modelos de entrada puramente elétricos nos Estados Unidos e Europa como possível fricção para vasta adoção nessas regiões. E risco representativo de perda de mercado para as concorrentes chinesas.

Visão estratégica mirando posição destacada no mercado global, atenção aos modelos de entrada e adaptações de projetos a combustão para elétricos explicam dados e projeções chineses. Ademais, parte destas empresas são novas, tornando desnecessária a transição de fábricas produzindo modelos a combustão para puramente elétricos – obstáculo de diversas montadoras ocidentais.

Do lado ocidental, analisando o cenário, o estudo de Jato Dynamics destaca Tesla e Volkswagen entre as empresas bem posicionadas para a transformação da indústria da mobilidade. Baseando-se no aumento da produção, redução de custos e aumento da lucratividade.

É impossível cravar o futuro da indústria automobilística. A única certeza: em razão das novas tecnologias, fabricantes e modelos de negócios, será profundamente. A maior mudança em sua história.

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