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Polestar inicia abertura de capital na Nasdaq e projeta valor de mercado em US$ 20 bilhões

Fabricante de carros elétricos iniciou fusão com SPAC Gores Guggenheim e busca levantar capital bilionário trilhando caminho de outras startups de carros elétricos

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Com design combinando estilo fastback à altura dos SUVs, Polestar 2 conquistou prêmios em diversas categorias desde o lançamento – Foto: Divulgação Polesta

Polestar anunciou nesta segunda-feira (27) o início dos procedimentos para abertura de capital na Nasdaq. O meio utilizado será a fusão com a SPAC Gores Guggenheim. Uma vez concluída a transação, o valor de mercado da empresa é estimado em US$ 20 bilhões.

A fusão injetará aproximadamente US$ 1.050 bilhão bruto na Polestar. Parte do montante proveniente do capital da Gores Guggenheim (US$ 800 milhões) e outra de investidores (US$ 250 milhões) por meio de um mecanismo chamado PIPE (Private Investment in Public Equity) – investidores compram ações diretamente da empresa por um preço abaixo do valor de mercado, vantagem oferecida por acelerar ou completar o levante de capital necessário à transação.

E aqui cabe contextualizar a transação: resumidamente, uma SPAC (special purpose acquisition company) é uma empresa sem operações no dia a dia. Basicamente, uma montanha dinheiro listada numa das bolsas dos EUA para a compra de uma empresa com expressivo potencial de crescimento. A compra funde as empresas. Com a empresa resultante batizada com nome semelhante à empresa adquirida – que de fato tem operações.

Para a empresa adquirida significa enorme capital injetado rapidamente comparado à abertura de capital tradicional. Para a SPAC é oportunidade de lucrar (bastante) caso a empresa adquirida concretize os objetivos e valorize-se no mercado.

Recomendados a leitura deste artigo para entender o que são SPACs e os impactos nas startups de carros elétricos.

A projeção de valor de mercado de Polestar (US$ 20 bilhões) baseia-se, além do capital envolvido, no que já foi realizado(10 mil carros entregues em 2020) e na projeção de vender 290 mil veículos até 2025.

Para concretizar tamanho salto Polestar planeja expandir as operações para 30 mercados até 2023 – atualmente são 14 na Europa, Ásia e EUA, lançar o SUV Polestar 3 em 2022 e mais dois modelos até 2024. Passos que explicam a necessidade de capital bilionário.

A fusão ainda está sujeita à aprovação pelos acionistas da Gores Guggenheim. E, caso aprovada, deverá ser concluída no primeiro semestre de 2022. A empresa resultante será chamada Polestar Automotive Holding UK, com ações negociadas na Nasdaq sob o símbolo “PSNY”.

Visão Zev.News

Fundada em 2017 pelo Grupo Volvo – até então a marca Polestar era espécie de selo de alta performance da montadora sueca, Polestar constitui um novo tipo de empresa. Ou de startup: novos empreendimentos automobilísticos organizados sob o guarda-chuva de gigantes da indústria e carregando vantagens destas – Zeekr é outro exemplo.

Em tese, significa agilidade, inovação e ausência de restrições com projetos legados, como montadoras tradicionais. Mas com infraestrutura, capital e entendimento do complexo negócio automotivo – a gestão financeira e da cadeia de fornecedores mostraram-se determinantes para a derrocada de startups como Byton e Faraday Future.

E justamente por este suporte proporcionado por Volvo – e consequentemente pelo grupo chinês Geely proprietário da montadora sueca – a fusão com a SPAC surpreende. E torna dois aspectos evidentes:

Primeiro, mesmo com o capital vultoso dos “pais”, desenvolver, construir e escalar a produção de carros elétricos é algo (extremamente) custoso. Segundo, apesar da relação com os “pais”, Polestar vislumbra futuro solo – mais promissor que o dos pais considerando as transformações do mercado?

Uma forma sustentar esta última pergunta é que no momento da publicação deste artigo o valor de mercado de Volvo é US$ 55.13 bilhões e Geely US$ 27.91 bilhões. Ambas com vendas mensais dezenas de vezes superiores a Polestar – a empresa não figura entre as 10 com modelos puramente elétricos mais vendidos na Europa.

Todavia, se considerarmos Polestar uma espécie de startup, a empresa faz algo essencial, e ainda não concretizado por nenhuma das outras startups de carros elétricos que abriram capital via SPAC (Lucid Motors, Fisker Inc, Canoo, Faraday Future): entregar carros. O que ajuda a explicar o interesse e valor de mercado. E apontado por Alec Gores, CEO do Gores Group, como uma das razões para a fusão da SPAC com Polestar:

“A empresa se destaca das demais pelos veículos premium, atrativo financeiro e fato de já possuir carros nas ruas ao redor do mundo. Tive o privilégio de ver a próxima linha de modelos, e os carros representam o melhor em inovação, design e identidade da marca. Polestar está posicionada para capitalizar este momento dinâmico e excitante dos fabricantes de carros”.

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