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Entenda a compra da fábrica da Lordstown por Foxconn e como isso impacta futuro da Fisker

Envolta em dificuldades financeiras, Lordstown encontra na Foxconn caminho para fabricação da caminhonete elétrica Endurance

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Com acordo, Lordstown mantém plano para produzir pequena quantidade de Endurances este ano e na primeira parte de 2022, destinadas a testes, validações e regulamentações – Foto: Divulgação Lordstown

A americana Lordstown Motors e a taiwanesa Foxconn, maior fabricante global de eletrônicos, anunciaram em 30 de setembro acordo para trabalharem conjuntamente na fábrica da startup de caminhonetes elétricas, localizada na cidade homônima de Lordstown, em Ohio.

O acordo é consequência das dificuldades e oportunidades decorrentes da transformação da indústria automobilística. As primeiras, cristalizadas nas operações da Lordstown Motors. E alerta às startups de veículos elétricos que ascenderam no mercado via fusões bilionárias com SPACs.

Ascensão e queda

Lordstown surgiu como desdobramento da Workhorse. Com plano de lançar a Endurance este ano. A startup adquiriu a antiga planta da GM na cidade de Lordstown. Onde serão fabricadas as caminhonetes. Aliada à propulsão puramente elétrica, o modelo ganhou notoriedade por soluções como motores localizados nos interiores das rodas.

O projeto ambicioso começou demonstrar sinais de problemas após análise divulgada por Hindenburg. Que se intensificaram após Lordstown reportar dificuldades financeiras em relatório aos investidores. Em suma, apesar dos milhões já gastos, exceto mais capital fosse injetado, a produção da Endurance seria inviável.

O problema escalou e levou à saída dos então CEO, Steve Burns, e CFO, Julio Rodriguez. E culminou na investigação da startup pela SEC – comissão de valores mobiliários dos EUA. Antes vista como promissora por sua ousada proposta de valor, Lordstown passou para o lado de provável fiasco.

Em meio à tamanha incerteza, surge Foxconn.

Oportunidade na salvação

Os veículos cada vez mais aproximam-se conceitualmente dos dispositivos eletrônicos. Seja por conta das tecnologias dos motores elétricos e baterias, ou pela conectividade mais e mais presente. Projetando o futuro, analistas apontam o interior dos carros com a próxima fronteira para imersão conectada graças ao advento da direção autônoma – e imensa oportunidade para novos negócios como serviços e entretenimento.

Diante desta transformação, entende-se a ofensiva em diversas frentes de Foxconn na indústria automobilística. Porém, além da expertise na fabricação de eletrônicos e gestão da cadeia de fornecedores, são necessárias fábricas.

Mais especificamente, fábricas próximas em mercados chave. Caso dos EUA. Afinal, transportar carros é mais complexo, oneroso e ambientalmente impactante do que eletrônicos.

Neste momento, provavelmente você já ligou os pontos. Então, vamos aos principais termos do acordo entre Lordstown e Foxconn.

Chama a atenção da aquisição da fábrica em Lordstown por US$ 230 milhões. Que exclui a linha de montagem dos motores elétricos, das baterias e propriedade intelectual. Como condição para aquisição da planta, estaria a produção da Endurance pela Foxconn.

Ainda segundo o informado no acordo, Foxconn comprará US$ 50 milhões em ações diretamente de Lordstown. E explorar acordos para produção de futuros veículos. Todavia, apesar do enlace da transação, ambas permaneceriam negócios independentes.

Porta de entrada nos EUA

Em fevereiro, Foxconn e Fisker anunciaram acordo para o lançamento do PEAR. Veículo compacto com preço aproximado de US$ 23 mil, programado para chegar ao mercado em 2023. As metas são ambiciosas: 250 mil unidades produzidas anualmente e vendas na China, Índia, Europa e América do Norte.

A última região é o ponto. Em recente pesquisa, Jato Dynamics apontou que diferentemente da China, o preço médio dos carros elétricos nos Estados Unidos (e na Europa) subiu na última década. Entre outras razões, por falta de modelos de entrada no mercado. O que representa ameaça às montadoras ante a entrada no mercado de empresas chinesas.

Por diferentes razões, há resistência aos carros chineses nos Estados Unidos. Todavia, apesar do capital taiwanês e do DNA dinamarquês – Henrik Fisker nasceu no país escandinavo –, marca e produção PEAR serão americanos: Fisker Inc. E o acordo envolvendo a fábrica acelera a entrada no mercado.

Pela magnitude financeira e complexidade do acordo, mais detalhes e confirmações deverão ser divulgadas em breve. Porém, ebulição e dinamismo provocados pela transformação da indústria automotiva geram ligação até então considerada improvável: Foxconn, Lordstown e Fisker.

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