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Exclusivo: Flux Performance sonha tornar-se Rimac das motos off-road

Entrevistamos Marko Ukota, fundador da startup Flux Performance, que ambiciona conquistar o mercado motocross com a superlativa elétrica Primo

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Como preço previsto de 12 mil Euros, a Primo almeja entregar 85 cavalos de potência, energizados por um conjunto de baterias de 6.7 kWh – Imagem: Divulgação Flux Performance

“Você quer ser o Mate Rimac do motocross?” O sorriso largo seguido da frase “Mate é meu ídolo”, resumem o sonho do esloveno Marko Ukota, CEO da Flux Performance, fundada no início de 2021. O plano ambicioso da startup é entregar as primeiras 3 mil unidades da Primo aos clientes em 2024. E escalar os negócios para tornar a Flux, nas palavras de Ukota, “a KTM das motos elétricas”.

O primeiro protótipo da Primo está previsto para testes – inclusive com alguns membros da imprensa – nas próximas semanas. Mas diferentemente da Stark, nada de milhões no caixa da Flux. O principal ativo da equipe formada por apenas quatro pessoas são tempo (nas horas vagas), conhecimento e fé na visão que a startup pode tornar-se a próxima grande empresa de motos.

A fim de vislumbrar as probabilidades de viabilidade da empreitada, como a Flux pretende superar os desafios hercúleos à frente, e os planos para colocar a Primo em produção, tive uma longa conversa com Ukota que, como veremos, é sobretudo um apaixonado por motos*. Leia o resumo abaixo.

Zev.News - Marko, antes de fundar a Flux você era piloto de supermoto e comandava a Get Low, um comércio online de peças, certo?

Marko Ukota – Sim, na verdade ainda sou piloto. Corro há mais ou menos 15 anos, no que considero um nível bem elevado. Paralelamente criei a Get Low Racing. Inicialmente uma equipe de supermoto, com cinco pilotos. Depois se tornou uma empresa de engenharia e começamos a vender peças e componentes.

Zev.News – Como surgiu a conexão com motos elétricas?

Ukota - Motos elétricas são algo que me interessam há pelo menos 12 anos. Entre a escola e a faculdade (Ukota cursou engenharia mecânica) criei com alguns amigos uma moto elétrica para supermoto. Criamos todo o plano de negócios, disputamos algumas provas, mas não foi para frente. Éramos apenas garotos. E à época as baterias não estavam prontas. Caras e sem performance. Muitas empresas surgiram e acabaram porque ainda era cedo, como a Brammo (empresa americana de motos elétricas extinta em 2017). Engavetei o projeto quando entrei na universidade.

Zev.News – E qual o estopim para criação da Flux Performance?

Ukota - A Alta Motors. Ainda hoje, na minha opinião, Alta é com folga a melhor empresa de motos do mundo. Mas a Alta faliu. O que é ao mesmo tempo uma pena e oportunidade. As Alta eram vendidas por mais do que custavam quando eram novas. E também via pessoas construído motos elétricas nas garagens gastando até 9 mil dólares em projetos sem nenhuma qualidade. Pensei: “é uma grande oportunidade”. Pelo meu trabalho na engenharia conhecia algumas pessoas na indústria aeroespacial, especializados em aeronaves elétricas e VTOLs (veículos voadores). Conversamos, fizemos alguns cálculos, e concluímos que o projeto era viável.

Zev.News – Qual sua visão para o futuro da Flux Performance? Atender nichos, como fazem empresas como TM? Ou escalar rumo a volumes maiores, como, digamos, KTM, por exemplo?

Ukota - Vejo a Flux Performance como a KTM das motos elétricas. Acho que as portas estão abertas para novas pessoas, e para conquistar o mercado, porque as grandes marcas estão adormecidas (para a transição elétrica). É preciso chegar não apenas com um pé na porta, mas explodindo a porta. Tenho uma visão na qual seremos a próxima grande empresa de motos.

Zev.News – Qual o estágio atual de desenvolvimento da Primo? Já há um protótipo construído, ou o projeto ainda está na fase das renderizações?

Ukota – Estamos finalizando o protótipo, a maioria dos componentes estão prontos. Os conjuntos de baterias estão em finalização, e os componentes em montagem. Em um mês deveremos apresentar o protótipo.

Zev.News – Então, sejamos mais específicos quanto ao desenvolvimento de pontos essenciais à Primo:

Motor? Estamos procurando fornecedores para o rotor e estator. Somos uma empresa pequena, não podemos produzir esses componentes. Mas a estrutura do motor, engrenagens, tudo é desenvolvido por nós.

Conjunto de baterias? O conjunto de baterias é totalmente feito por nós. A única coisa que compramos são as células de baterias. Tudo, a construção, a solução de arrefecimento, as conexões elétricas, as soluções de recargas. Até as placas de circuitos são completamente desenvolvidas por nós.

Chassi? Temos uma parceria com Vent Moto, que era a Honda Moto Itália (fundada em 2017 a Vent adquiriu a propriedade intelectual da Moto SPA, distribuidora dos modelos cross da Honda na Itália). Temos essa parceria porque, de novo, somos uma equipe pequena, e não poderíamos arcar com o desenvolvimento do chassi do zero, porque custaria mais de 50 mil Euros. Então, fizemos a parceria, e usamos o chassi deles como base, e modificamos para utilizar diferentes suspensões, e claro, integrar os componentes eletrônicos. Mas o link da suspensão traseira e a balança são completamente nossos.

Zev.News – Algo me chamou a atenção na Primo: a transmissão de dois estágios. Por que essa solução?

Ukota - Não são dois estágios no sentido de ter duas marchas. Mas no sentido de ter quatro engrenagens para aumentar a redução. Se utilizássemos uma única engrenagem, a segunda engrenagem precisaria ser enorme para a redução correta. Com o nosso chassi, ou qualquer outro chassi de série, faria com que a coroa ficasse muito distante do pivô da balança, e arruinaria completamente o efeito anti-mergulho, a tensão da corrente, a engenharia do chassi. E ficaria parecido com aquelas coisas ridículas que as pessoas constroem em casa. Com essa solução podemos ser compactos em espaço e posicionar todas as peças onde devem estar para a manobrabilidade ideal.

Zev.News – Onde serão produzidas as motos?

Ukota - Queremos produzir as motos em Eslovênia. Vamos colocar assim: os parceiros atuais são parceiros para produzir o protótipo. O segundo estágio é desenvolver a produção das motos, totalmente do zero. Isso quer dizer, o chassi, os plásticos, totalmente novos. Então, sim, queremos nossa base, nosso centro de pesquisa e desenvolvimento, e a produção na Eslovênia. Há muito potencial (na Eslovênia) para fabricar produtos de corridas. Akrapovic (fabricante esloveno de escapamentos) é um bom exemplo do que este país pode fazer. E muitas de nossas indústrias fornecem projetos para empresas como Porsche, Audi e Volkswagem. Então, por que não manter o valor agregado em casa? Temos as habilidades e os engenheiros para construir algo nós mesmos.

Zev.News – Desenvolver uma moto cross elétrica além dos desafios técnicos ainda envolve custos elevados. Então, como é o financiamento atual da Flux? E quais os planos para manter o negócio vivo até a geração de receita?

Ukota – Traremos alguns investidores abordo. Em breve teremos nosso seed round – Ukota teve uma reunião com possíveis investidores um dia antes da entrevista. E teremos mais uma rodada antes de lançar a moto para obter a capacidade de produção. O lançamento do site (pré-reserva de 50 Euros retornáveis) foi tão bom que validou o conceito e nos conferiu alguma tração. Mas até agora todo tempo e dinheiro é nosso, porque acreditamos no projeto.

Zev.News – As primeiras unidades da Primo estão previstas para produção em 2023 e entrega em 2024. Qual o volume estimado do primeiro lote?

Ukota – A previsão é entregar 3 mil motos. KTM produziu 50 mil das EXC, então o mercado é enorme. Queremos começar não apenas com a versão motocross, mas também com a versão supermoto e enduro. O que acredito impulsionará os números.

*Antes de encerrar a conversa perguntei a Ukota se tinha alguma dúvida ou gostaria de alguma informação. Diferentemente dos habituais questionamentos sobre mercado, startups e perspectivas, feitos por CEOs, perguntou: “Como era julgar o Red Bull X-Fighters?”.

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