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Há mais de uma década Ronny Showman pratica freestyle motocross com uma moto elétrica construída por ele mesmo

O alemão criou a elétrica Blade a partir de uma KTM, e nunca saltou uma rampa com um modelo a combustão

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Diferente do uso extremo das corridas, repetir o mesmo salto nos shows de freestyle confere à Blade até 40 minutos de pilotagem – Foto: Acerto Ronny Showman

Inovação impulsionada por pura necessidade. Que resultou num piloto de formação inusitada. Em duas frases, este é Ronny Schumann. Cujo sobrenome aproveitando a sonoridade alemã morfou-se na marca profissional, Ronny “Showman”. Mudança para comunicar de imediato a atividade como piloto: os shows de freestyle motocross.

A carreira do alemão de 38 anos destaca-se pelo pioneirismo. Não das manobras, mas das motos: Showman foi o primeiro a praticar o freestyle motocross com uma moto elétrica. E o mais surpreendente: há mais de dez anos, com um modelo adaptado no quintal de casa.

O projeto da moto elétrica batizada Blade foi o gancho desta entrevista, e resultou numa conversa com um dos pilotos mais peculiares e “mão na massa” com os quais já conversei.

Zev.News - Ronny, como você começou a pilotar motocross?

Ronny Showman – Comecei quando tinha 12 anos. Quando completei 16 anos, comprei uma moto cross 125 cc. Mas passava mais tempo consertando do que pilotando. Precisava fazer muitos reparos. Quando completei 18 anos passei para o mountain bike downhill. Competi no Alemão de Downhill, mas nunca estive entre os mais rápidos.

Zev.News – E o freestyle motocross com motos elétricas, como surgiu?

Ronny - Gostava mais dos saltos (na época do downhill). Construí minha própria pista com saltos de 16 metros (enormes para as bicicletas). E comecei as manobras. Queria mais. Mas não queria motos as combustão. Em 2004 comprei uma moto elétrica da Electric Motor, criada por Ely Schless. Era uma moto com baterias de chumbo, com algumas peças de bicicleta e motor elétrico de escovas (tecnologia antiquada) e sistema de 48 Volts. Era uma moto mais para as trilhas. Um amigo tinha uma igual, e construímos uma rampa de madeira para freestyle motocross. Começamos a fazer manobras, apenas com 12 metros de distância, porque a moto não era para aquilo. O fabricante informou que haveria um segundo modelo (mais robusto), mas nunca aconteceu. Esperamos. E esperamos. Naquela mesma época me formava como técnico mecânico. Então, pensei: “Vou construir minhas rampas e minha própria moto”.

Zev.News – E o que o levou às motos elétricas?

Ronny – Meu salto é no local onde era o quintal do meu avô. Comecei a pilotar lá por volta de 2004. E utilizava as motos elétricas para não incomodar ninguém. Na Alemanha o barulho é um problema. Muitas pistas de motocross fecharam por causa do barulho.

Zev.News – A base da Blade é uma KTM?

Ronny – Sim, uma KTM SX 250, modelo 2008. Comecei o projeto em 2010. Comprei o chassi, então coloquei as baterias, o motor, o controlador. Naquela época não havia motores sem escovas ou baterias de lítio disponíveis. Comecei a pilotar a Blade em 2011, e por causa das baterias, era pesada, quase 140 kg. Saltava 16 metros com essa configuração. Não era fácil. Não era construir e pilotar. Era construir e testar. A moto pegou fogo algumas vezes (risos). Mas encontrei motivação para seguir em frente.

Zev.News – Como a Blade evoluiu até a versão mais recente?

Ronny - Em 2014 comecei a usar o motor sem escovas e baterias do tipo lipo (polímero de lítio, comum em modelos rádio controlados). Conseguia carregar essas baterias 200 vezes antes de falharem, ou pegarem fogo (risos). Mas fiz contato com outros construtores de veículos elétricos, e agora utilizo um conjunto de baterias de íons de lítio. Consigo carregar as baterias na própria moto (era necessário remover as baterias lipo) e checar o estado e cargas da bateria pelo celular via conexão bluetooth.

Zev.News – Quais as especificações da versão mais recente da Blade?

Ronny – São 28 cavalos de potência, com 1.8 kWh de capacidade das baterias. E aproximadamente 40 minutos de pilotagem no freestyle. Por conta da corrente tão longa não faz sentido ir para a pista de motocross. E como o sistema é refrigerado a ar, depois de cinco voltas no motocross, a energia cai, porque esquenta demais.

Zev.News – Falando em corrente longa, a coroa enorme chama a atenção. Qual o tamanho? E, por quê?

Ronny – Porque não há caixa de câmbio. Não há a redução da caixa de câmbio. Na frente, o pinhão tem 10 dentes. Na traseira a coroa tem 78 dentes (nas motos cross tradicionais a coroa tem entre 40 e 50 dentes).

Zev.News – Por que você mudou para a Alta?

Ronny – Quando a Alta foi lançada já fazia shows (de freestyle motocross) com a Blade. Pensei: “minha moto é boa para saltar, não preciso de uma Alta”. Mas há aficionados por motos elétricas na minha região. Um amigou comprou uma Alta. Depois que pilotei, concluí, “preciso de uma” (risos).

Zev.News – Tratam-se de conceitos de moto distintos, então uma comparação direta seria descabida. Mas restringindo-se à resposta ao acelerador, como compararia Blade e Alta?

Ronny – A principal diferença é que a Alta tem freio motor. Quando você alivia o acelerador, a moto desacelera bastante. Já a Blade, não. Quando alivia o acelerador, a moto continua, como uma dois tempos a combustão. Para mim, para o freestyle, a falta de freio motor é melhor. Por que quando você salta, a roda traseira para (por conta do freio motor), o que dificulta algumas manobras mais técnicas. Mas não é possível alterar isso na Alta.

Zev.News – Aliás, como compararia saltar as rampas de freestyle motocross com uma moto elétrica e com um moto a combustão?

Ronny – Nunca saltei uma rampa com uma moto a combustão. Quando tinha 16 anos, com a 125cc, fazia enduro, pilotava nas pistas de motocros. Era iniciante, não tinha experiência. Nunca pulei uma rampa de freestyle motocross com uma moto a combustão. E nunca saltarei. É muito perigoso.

Zev.News – Ronny, para fechar, quais os planos para o futuro próximo?

Ronny – Larguei meu trabalho (mecânico industrial). Agora vou me dedicar totalmente ao freestyle motocross. E irei para a Suíça, para realizar shows num circo.

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