Utilizamos cookies e tecnlogias semelhantes a fim de melhorar sua experiência no site. Ao continuar você concorda e aceita nossa  Política de Privacidade  

ANÁLISES & NOTÍCIAS SOBRE VEÍCULOS COM EMISSÃO ZERO

HOME CARROS MOTOS BIKES TECH MERCADO RACING STARTUPS CONTATO PESQUISAR

Ligação da LiveWire com Harley-Davidson traz apenas benefícios ou também riscos?

Proximidade à fabricante centenária é maior força da LiveWire, mas, ironicamente, pode trazer alguns riscos à empreitada

Por |
O primeiro modelo LiveWire é One, e seguido ao lançamento da Del Mar, o plano é expandir a linha para quatro modelos, mas portfólio pequeno é um dos riscos à geração de receita – Foto: Divulgação Harley-Davidson

A LiveWire ainda é percebida por boa parte do público como o ramo eletrificado da Harley-Davidson. Embora associada, controlada e dependente da progenitora centenária, LiveWire tornou-se empresa à parte. Numa separação marcada pela abertura de capital na Bolsa de Nova York, que injetará aproximadamente US$ 545 milhões na operação.

Apesar da estreita relação com a Harley-Davidson, LiveWire opera de modo semelhante às startups de veículos elétricos: rompe padrões da indústria. Além da propulsão elétrica, aposta nas vendas híbridas (lojas físicas e online) e na conectividade para ofertar nas motos serviços digitais por assinatura.

Consequentemente LiveWire encara alguns riscos comuns às startups do segmento. Por exemplo, conforme escalar as operações, incertezas quanto aos prazos de desenvolvimento e capacidade de entrega das motos ao mercado, e se alcançados, se dentro do orçamento e com a qualidade almejada.

É importante explicar: os principais riscos são apontados pela própria LiveWire. Descrevê-los é determinação da SEC – comissão de valores mobiliários dos EUA – na documentação obrigatória à abertura de capital.

O contraponto aos riscos são as forças oriundas do parentesco da LiveWire com a Harley-Davidson. Fábricas, fornecedores e distribuição das motos pela ampla rede autorizada. Que solidificam a empreitada e conferem vantagens à LiveWire frente a concorrentes emergentes, como Zero, Damon Motors e Energica.

Todavia, nos negócios nem tudo é absoluta vantagem. Então, vale a pergunta: a ligação com a Harley-Davidson pode oferecer riscos ao futuro da LiveWire?

Forças podem tornar-se riscos

A resposta é sim. E, ironicamente, algumas das forças resultantes da proximidade à Harley-Davidson podem tornar-se riscos, listados pela própria LiveWire.

Caso a sintonia entre LiveWire e Harley-Davidson saia dos trilhos, eventuais disputas podem prejudicar o elo mais frágil – no momento, LiveWire.

Em termos de marca, LiveWire herda atributos associados à Harley-Davidson. Porém, precisa construir identidade própria perante seu público – mais jovem e de contato mais recente com as motos. E a relação com Harley-Davidson constitui via dupla: problemas de imagem com Harley-Davidson podem prejudicar a LiveWire, e vice-versa – e desencadear a possibilidade do parágrafo anterior.

Para vender as motos, LiveWire adotará sistema híbrido: pontos físicos e online. Mesmo assim, a rede Harley-Davidson constitui uma das forças da operação. Caso as autorizadas falhem ao estabelecerem relacionamento positivo com os clientes para os modelos elétricos, a situação pode impactar negativamente os negócios da LiveWire.

Apesar da abertura de capital a Harley-Davidson detém a maior participação na LiveWire (74% da empresa). E é a fabricante dos modelos LiveWire. Produção acordada com prazo de validade de alguns anos. Mas que não inviabiliza a situação de alterar-se futuramente, e de Harley-Davidson até vender a participação na LiveWire. O que poderia obrigar a empresa elétrica a buscar outro parceiro para fabricação, ou até a própria planta. Num consumo voluptuoso de tempo e capital.

Na condição de empreitada solo com capital aberto, LiveWire sai da proteção financeira da Harley-Davidson. E se expõe aos riscos da (prevista) ausência de lucro num futuro imediato tornando o controle de queima de capital essencial ao progresso.

A consistência do projeto LiveWire aliado à vantagem de sair na frente de outros fabricantes tradicionais num mercado com enorme crescimento previsto justificam a confiança para tomada de risco. Otimismo posto em números, a estimativa da LiveWire é saltar das 461 unidades vendidas em 2021 para mais de 100 mil em 2026, e impulsionar o faturamento de US$ 36 milhões para US$ 1.76 bilhão.

TÓPICOS RELACIONADOS

EDITOR INDICA

RECEBA NOSSAS MATÉRIAS