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Entrevista: Alan Birtwistle, campeão britânico de Flat Track na categoria elétrica

Birtwistle explica vantagens e desvantagens dos motores elétricos no Flat Track, e como a nova propulsão pode estimular desenvolvimento do motociclismo

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Primeiro campeão na categoria elétrica do Britânico de Flat Track, Alan Birtwistle acredita que a eletrificação das motos pode impulsionar as competições - Foto: Too Fast Films

Alan Birtwistle ganhou notoriedade global por meio da campanha Hooligans, lançada em 2018 pela extinta Alta Motors. No vídeo, o piloto inglês deita completamente e desliza uma Redshift pelo asfalto, para então retornar a moto à posição de pilotagem. Manobra batizada “scrub”, numa alusão ao motocross.

Birtwistle é mais do que um stuntman. Construiu carreira sólida no Flat Track. Coleciona participações em provas como Superprestigio e no circuito americano da modalidade. E o ímpeto inovador o levou às motos elétricas.

Foi campeão na temporada inaugural (2021) da categoria elétrica no Britânico de Flat Track (DTRA). E além de líder no atual campeonato, ainda ocupa o segundo posto na classe 450cc Pro, mas pilotando uma elétrica Alta Redshift.

Por estas realizações, conversamos com Birtwistle, a fim de conhecer o comportamento das motos elétricas no Flat Track, e a visão do piloto sobre como a eletrificação pode contribuir ao desenvolvimento do motociclismo esportivo.

Zev.News – Alan, como começou o seu relacionamento com a Alta Motors?

Alan Birtwistle – Procurei o gerente de marketing (da Alta Motors), e comentei que me interessava por motos elétricas. E que eu estaria em Daytona (EUA), para correr no Flat Track. Sabia que eles (Alta Motors) estariam em Daytona para testar a moto (Redshift).

Zev.News - E como foi a primeira experiência com a Redshift?

Birtwistle - Fiquei imediatamente impressionado. Pilotei a moto num percurso de enduro. E foi minha pilotagem mais rápida numa moto de enduro. Mesmo com suspensões diferentes, e tudo mais. Depois fomos à fabrica, testamos um pouco mais, fizemos umas filmagens, e testamos a moto numas pistas de motocross.

Zev.News – Em 2021 a organização do Britânico de Flat Track criou a categoria elétrica no campeonato. O que você acha que os motivou?

Birtwistle – Acho que ficou claro que a eletrificação é parte do futuro da indústria motociclística, e das corridas. E o Flat Track é uma boa plataforma para testar essas motos. Para mostrar o que podem fazer.

Zev.News – O regulamento da categoria elétrica no Britânico de Flat Track parece bastante aberto. Além das Alta Redshift, quais motos disputam a categoria?

Birtwistle – Há uma Zero e uma Trevor. Acho que pela quantidade limitada de proprietários de motos elétricas, a organização deixou o regulamento bastante aberto. Quem possui uma moto elétrica, pode correr. Não há nem mesmo regulamentação quanto aos pneus, como normalmente há no Flat Track. Basicamente, se você tem uma moto off-road elétrica, está dentro. Acho que no próximo ano com a chegada da Stark e de outras marcas haverá mais pilotos.

Zev.News – Você já correu pilotando a Alta Redshift contra motos a combustão no Flat Track?

Birtwistle – Sim, este ano também corro a categoria 450cc Pro (no Britânico de Flat Track). Na última etapa terminei na segunda posição. E em terceiro na anterior. Estou em segundo no campeonato correndo contra motos a combustão, o que é incrível. Fiquei surpreso por ir tão bem.

Zev.News – Uma curiosidade: ao aliviar o acelerador a “frenagem” da roda traseira provocada pelo sistema de regeneração de energia afeta negativamente a pilotagem da Alta Redshift no Flat Track?

Birtwistle – O sistema de energia regenerativa não afeta tanto a “frenagem” da roda traseira, porque há diferentes mapas. E mesmo no mapa 4, que tem mais regeneração de energia, é comparável ao efeito nas 450 cc. E tendemos a gostar do freio motor no Flat Track, para posicionar a moto nas curvas.

Zev.News - E quais outras vantagens da Redshift comparadas às motos a combustão para o Flat Track?

Birtwistle – Disponibilidade constante de torque e entrega suave de potência. O que é uma vantagem, já que permite modular a potência de forma mais gradual, e com mais suavidade quando a pista tem consistência e boa aderência.

Zev.News – E ainda tomando a Redshift como referência, há pontos negativos para o Flat Track:

Birtwistle – Quando a aderência é baixa, talvez haja uma ligeira desvantagem. Porque não há o efeito inercial dos motores a combustão, então há uma tendencia da roda girar. Mas acho que é algo que será solucionado por meio de programação (software), para criar artificialmente esse efeito. Esse é um dos pontos fortes das motos elétricas: a possibilidade infinita de incluir características.

Zev.News - Mudando de assunto, fiquei impressionado com o seu “scrub”. Como a manobra surgiu?

Birtwistle – Estávamos num show (motociclístico), fazendo umas demonstrações de Flat Track no concreto, e tiramos as botas e colocamos uns pedaços de plástico nos calçados. Começamos a abaixar bastante, e eu estava ficando próximo de tocar o guidão no solo. Eu inclinei a moto ainda mais, e consegui encostar no solo sem cair. Então coloquei uma pequena parte de metal na ponta do guidão, para fazer faíscas. Aprender a fazer a manobra suavemente exigiu muito mais treinos e testes.

Zev.News – O “scrub” é boa referência para comparação: é mais fácil fazer a manobra na Alta Redshift ou na Honda CRF 450 – Alan também pilota o modelo a combustão – ?

Birtwistle – (Pensativo) Provavelmente é um pouco mais fácil fazer na CRF, apenas porque estou habituado a escutar o barulho do motor para modular quando abaixar. Mas acho que é algo que se supera com o tempo, conforme se aprende a utilizar todos os sentidos para perceber o que a moto (elétrica) está fazendo. Por exemplo, nas corridas, às vezes a falta de som não proporciona o “feedback” de quando o pneu está prestes a girar. Mas é algo que se pega com o tempo. Talvez no futuro tenhamos um dispositivo que chacoalhe o guidão, então o piloto saberá quando o pneu está girando (risos).

Zev.News – Novos modelos e competições de motos elétricas estão previstos para as próximas temporadas. Na sua visão, como a eletrificação pode estimular o desenvolvimento do motociclismo esportivo?

Birtwistle – Acho que as motos elétricas abrirão possibilidades para corridas e campeonatos. No passado, o barulho era um limitador, especialmente na Europa, e em lugares densamente povoados, como o Reino Unido. Muitas pistas foram fechadas pelas diversas reclamações, o que é compreensível. Mas uma vez que haja silêncio, será possível pistas próximas às vizinhanças. O que significa pistas próximas às cidades, e eventos cada vez maiores, com mais espectadores.

Zev.News – Alan, para fechar: quais os seus planos para os próximos, digamos, cinco anos?

Birtwistle – Espero continuar no Flat Track, fazer algo com a Stark, e outras marcas que chegarem ao mercado. A Future Moto, equipe pela qual corro este ano, também é uma distribuidora de motos elétricas (a empresa será uma das distribuidoras da Stark). E planeja criar centros de pilotagem para motos elétricas no Reino Unido, com pistas de motocross, enduro, trial, nas quais as pessoas poderão alugar as motos e treinar. O primeiro será aberto este ano em País de Gales. E coordenarei alguns cursos nestes locais. E também continuarei trabalhando na escola de pilotagem Dirt Craft.

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