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Entenda como Alta Motors impulsionou a tecnologia das baterias dos veículos elétricos

Startup conseguiu reduzir peso e volume dos componentes para criar o conjunto de baterias energicamente mais denso da época

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Para transformar o conceito Redshift em realidade foi necessário inovar no conjunto de baterias para equiparar a cross elétrica aos modelos a combustão – Foto: Acervo Marc Fenigstein

A primeira parte da série sobre a Alta Motors abordou a origem da startup. Em 2010, ainda sob o nome BRD, o trio Marc Fenigstein, Derek Dorresteyn e Jeff Sand definiu como missão fabricar em série uma moto cross elétrica capaz de bater equivalentes a combustão. Era a gênese da Redshift.

Resumo feito, vamos em frente. Os números (potência, peso, armazenamento de energia) teoricamente viabilizavam a moto nas projeções em CAD, porém, ainda era necessário construir o primeiro protótipo – que seria apresentado já 1 ano depois (2011).

Mas nos idos de 2010 os fornecedores de componentes para veículos elétricos eram limitados. Assim a inovação na Alta ocorreu num misto entre estratégia de negócio e necessidade. E uma parte exigiria atenção especial para equiparar a eletricidade à combustão: o conjunto de baterias.

Embora tempo de recarga e armazenamento (kWh) dominem a atenção do público quando o assunto são as baterias dos veículos elétricos, durante o desenvolvimento, eficiência era a palavra de ordem para a Redshift. O que implicava driblar inimigo inexpugnável: o calor.

Fenigstein, então CEO da Alta Motors, explica que um dos limitadores para eficiência do conjunto de baterias é a velocidade com a qual o calor é retirado das células. Por isso são desenvolvidos sistemas para retirar o calor para um ponto a partir do qual possa ser dissipado.

E aqui cabe explicar: o termo conjunto comunica à risca a construção. São centenas, às vezes milhares, de células de baterias semelhantes a pilhas pequenas funcionando juntas numa estrutura recipiente.

"Quando muita energia é colocada ou retirada da célula, o calor da resistência interna torna-se um fator limitante para o sistema e para a segurança. Quanto mais eficiente a retirada de calor, mais energia pode ser puxada com segurança das células".

Inovação vs. Busca de Capital

Esta foi uma das grandes inovações da Alta Motors. Como referência, à época, 50% do conjunto de baterias da Tesla era composto pelas células de baterias propriamente ditas. O restante, outros componentes. Entre os quais o sistema de dissipação de calor. A Alta Motors conseguiu reduzir o peso e volume dos componentes à parte às celulas em três quartos, e manter os níveis de segurança.

A solução desenvolvida contribuiria para o conjunto de baterias da Redshift alcançar no ápice de seu período o posto de energicamente mais denso da indústria de veículos elétricos: 5.8 kWh com peso de 30.8 quilos.

Curiosamente, em 2018 a Tesla mudou radicalmente a refrigeração do conjunto de baterias do Model 3. Numa arquitetura bastante semelhante a da Redshift, lançada três anos antes.

Hoje todo potencial investidor em startups de veículos elétricos sabe: as células de baterias são na maioria fabricadas por terceiros, concentrados na Ásia (China, Japão e Coreia do Sul). Porém, surpreendentemente, a inovação da Alta às vezes era nublada pelo desconhecimento quando a startup buscava capital à época.

“Então vocês não têm a tecnologia de baterias?”, relembra Fenigstein, repetindo a pergunta de possíveis investidores. E contextualiza: “Quem acreditava nisso, não acreditava na Tesla”.

O episódio citado por Fenigstein é emblemático para entender aquele momento, e a cadeia de eventos que definiria o destino de uma das mais disruptivas empresas de motos já criadas. Determinado em boa medida pela fonte e condições para obter o capital injetado na startup. Tema das próximas matérias.

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